Após Cláudio Duarte, outro vereador de BH é investigado por ‘rachadinha’

Dois dias após a prisão do vereador Cláudio Duarte (PSL), acusado de praticar “rachadinha” em seu gabinete, um outro parlamentar enfrenta denúncia semelhante. Após vir à tona o suposto uso de dinheiro da Câmara para pagar um funcionário particular do vereador Flávio dos Santos (Podemos), servidores e ex-assessores do parlamentar denunciaram também a prática do crime de reter parte do salário dos funcionários também naquele gabinete. Eles já foram ouvidos pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em um processo de investigação criminal (PIC). A reportagem teve acesso aos depoimentos e conversou com alguns deles.

De acordo com os relatos feitos à promotoria e a O TEMPO, ao menos sete servidores lotados no gabinete de Flávio dos Santos são obrigados a repassarem parte dos salários ao vereador. A quantia é estipulada pelo próprio parlamentar e varia entre R$ 1.200 e R$ 5.000 segundo depoimentos.

Em uma das oitivas, uma testemunha diz que um motorista do vereador, nomeado como assessor parlamentar, é obrigado a sacar R$ 5.000 do salário dele todo dia de pagamento e entregar o valor na casa de Flávio dos Santos.

Outras acusações apresentadas no PIC e por pessoas ligadas ao gabinete confirmam a prática de funcionários pagos pelo dinheiro público por meio da Câmara Municipal, mas que prestam serviços particulares para o vereador. Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, que já trabalhou para Flávio dos Santos e era nomeado como assessor parlamentar, os trabalhos feitos eram de servente de pedreiro, empregado e “qualquer coisa que ele (Flávio) pedisse”.

Além de ser um funcionário-fantasma no Legislativo, essa fonte afirmou que também era obrigado a repassar parte do salário ao chefe.

As acusações se assemelham às reveladas pelo portal O Tempo na quarta-feira, dando conta de que Renato Deodato afirmou à Justiça do Trabalho ter trabalhado como pedreiro e exercido atividades inerentes a um emprego doméstico, apesar de ser lotado no gabinete. Ele, entretanto, não era obrigado a se envolver no crime de “rachadinha”.

Além do assessor que trabalha como motorista particular de Flávio dos Santos, o processo de investigação aponta também uma outra mulher nomeada no gabinete, mas que não compareceria à Câmara Municipal de Belo Horizonte porque a função dela seria cuidar da filha do vereador e levá-la ao shopping.

A reportagem conversou com o chefe de gabinete de Flávio dos Santos, que é citado pelas testemunhas como um dos participantes da rachadinha, além de ser, supostamente, o responsável por captar verbas para instituições sem fins lucrativos comandadas de forma irregular pelo vereador. Ele negou que participe do esquema e alegou não ter conhecimento sobre o fato entre os colegas, uma vez que trabalha há menos de seis meses para o parlamentar. “Não estou sabendo sobre eu ser citado em processo no Ministério Público, não fui comunicado, nem nada. Inclusive, quero saber quem me acusou para que eu possa processar a pessoa que está falando essas inverdades”, declarou. Flávio dos Santos também não se manifestou.

A Câmara Municipal de Belo Horizonte foi procurada para informar a lista de servidores lotados no gabinete do vereador Flávio dos Santos. Até o o momento, a assessoria do Legislativo não encaminhou uma resposta à demanda. A reportagem optou por manter os nomes tanto dos denunciantes como dos denunciados em sigilo para preservá-los de possíveis ameaças e retaliações.

Fonte:https://www.otempo.com.br/pol%C3%ADtica/ap%C3%B3s-cl%C3%A1udio-duarte-outro-vereador-de-bh-%C3%A9-investigado-por-rachadinha-1.2163583

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