Artistas transformam passarela ícone de BH em mural e discutem arte urbana em evento gratuito

“Muitas culturas diferentes, mas o sentimento humano é universal”, diz a artista italiana Alice Pasquini sobre a forma como a arte se conecta com as pessoas. Ela participa de uma ação de revitalização no bairro Lagoinha, um dos mais antigos de Belo Horizonte. O trabalho é ao lado de três artistas mineiros que vivem a cidade cotidianamente.

Eles usam spray, pincel e tinta para alterar o cenário, que é passagem de milhares de pessoas todos os dias. A intervenção vai transformar a passarela que dá acesso ao metrô em um grande painel. Serão 400 metros de pintura, bem ao lado da rodoviária, na chegada ao centro.

“Os artistas estão fazendo um trabalho muito lindo na passarela. Este espaço vai ser verdadeiramente transformado e ser um centro de comunicação no bairro. Não será apenas uma passagem”, disse Alice.

Se sentindo em casa, o artista visual João Gabriel, 34 anos, fala das referências que buscou para ajudar a criar o painel.

“Como é uma passagem de vários pontos de Belo Horizonte para o centro, a ideia é deixar um pouco mais leve. Pesquisei muitas plantas de praças na região e trago essas referências. Além de referências culturais, como a Casa da Loba, que ficava abandonada na Rua Itapecerica”, contou.

Uma estátua de loba amamentando duas crianças despertava a atenção pela edificação. “Sou morador do Lagoinha e passo aqui praticamente todos os dias e sempre imaginei esse espaço pintado com grafite. Então tá sendo um sonho”. Ele começou a estudar arte influenciado pelo grafite, o que expressa a relação forte com o que é urbano. Além da parte estética, ele compreende o processo como uma “requalificação cultural”.

A previsão é de 12 horas de trabalho diário, com conclusão na semana que vem. Os artistas Clara Valente e Gabriel Dias também participam do projeto. A passarela liga a Praça Vaz de Mello à Rodoviária da capital mineira e à estação de metrô. A intervenção é a terceira etapa de uma ação de requalificação feita pelo Movimento Gentileza, em parceria com vários entidades, incluindo o Consulado da Itália.

Em sincronia com o colorido das ruas, o lugar da arte urbana será o assunto em um bate-papo com entrada gratuita na Casa Fiat de Cultura, nesta quarta-feira (24), das 19h30 às 21h. “Muros limpos, povos mudos” será conduzido pela artista italiana com participação de artistas locais.

“A arte está presente na história da humanidade. Os muros são as palavras das pessoas que vivem na cidade, um espaço para enviar uma mensagem ou comunicação. Cada muro é próprio do lugar”, define Alice.

Segundo a artista italiana, ao se expressar dessa forma, ela consegue “humanizar” o concreto e fazer a arte mudar a percepção do espaço. “Minha arte fala dos sentimentos humanos. A inspiração está ligada à forma do muro e a história do lugar”.

Alice pintou mais de 2 mil paredes em todos os continentes, exceto na Antártida. No Brasil, acabou de pintar o exterior do Sesc Pinheiros, em São Paulo, inaugurando a primeira obra de arte dela no país. São pequenas e grandes intervenções em espaços públicos.

A relação entre Belo Horizonte e o país europeu vem da construção do bairro Lagoinha, que recebeu italianos no final do século 19 e início do século 20.

Serviço:
Bate-papo “Muros limpos, povos mudos” com Alice Pasquini
24 de abril de 2019, às 19h30
Entrada gratuita
Casa Fiat de Cultura – Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/o-que-fazer-em-belo-horizonte/noticia/2019/04/23/artistas-transformam-passarela-icone-de-bh-em-mural-e-discutem-arte-urbana-em-evento-gratuito.ghtml


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