Bolsonaro visita Israel sob perspectiva de mudança em política externa

O presidente Jair Bolsonaro desembarca neste domingo, 31, em Israel para uma visita de consolidação da aliança de seu governo com o de Benjamin Netanyahu. O resultado dessa agenda poderá mudar bruscamente a política externa do Brasil e, em especial, suas relações com os países do Oriente Médio.

Bolsonaro anunciou antes mesmo de tomar posse suas intenções de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, gesto que representa o reconhecimento da cidade santa como capital israelense e que desconsidera o pleito de soberania palestina sobre sua porção oriental.

Após muitas críticas, o governo brasileiro deixou o tema em banho-maria até as vésperas da viagem, quando o presidente anunciou que pretende abrir apenas um escritório de negócios em Jerusalém, em vez da emblemática transfência da embaixada. A medida parece ter sido a saída encontrada por seu círculo mais próximo para agradar seus aliados domésticos, em especial a bancada evangélica do Congresso, sem ferir gravemente as relações comerciais com o mundo árabe.

Porém, ainda que de forma de forma menos brusca, a viagem a Israel promete ser a consolidação da mudança anunciada pelo governo Bolsonaro para a política externa brasileira.

Segundo Rubens Ricupero, diretor do Departamento de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), as primeiras visitas de um chefe de Estado são carregadas de simbolismo. No caso do Brasil, tiveram como principal destino a Argentina nos últimos governos, como meio de assinalar o compromisso do país com o Mercosul e a América do Sul.

Na gestão de Jair Bolsonaro, essa conotação perdeu sentido. O presidente escolheu três destinos com o signo da extrema-direita: Estados Unidos, Israel e Chile (embora menos radical que os anteriores). “A visita a um governo israelense muito combatido e isolado segue uma ótica puramente ideológica”, afirmou Ricupero.

A indicação de que não haverá anúncio da transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém tem um componente tranquilizador, especialmente para a área econômico-comercial. Mas a decisão de abrir um escritório de negócios na cidade santa, para Ricupero, ainda trará prejuízo. Para o ex-ministro da Fazenda e ex-secretário-geral da Agência das nações Unidas para o Comérico e o Desenvolvimento (Unctad), melhor seria a escolha, por exemplo, de um escritório de cooperação em irrigação ou de um instituto cultural.

Para José Augusto Guilhon Albuquerque, professor emérito de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, a escolha de Jerusalém como destino para uma de suas primeiras viagens internacionais do presidente pode trazer o isolamento do governo Bolsonaro em longo prazo.

“Em qualquer outro momento, a viagem a Israel seria perfeitamente adequada, embora não prioritária. Mas, neste momento e nesta ordem – a segunda viagem bilateral, depois dos Estados Unidos – é inadequada”, diz. “O mundo muçulmano é extremamente importante comercial e politicamente. Dar um tapa na cara dos países muçulmanos sem provocação deles é um ato inútil e com consequências nada agradáveis”, completa Guilhon Albuquerque.

Fonte:https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-visita-israel-sob-perspectiva-de-mudanca-em-politica-externa/

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