Coronavírus: Sem isolamento, BH poderia ter colapso de leitos e respiradores no fim de abril, diz estudo

Pesquisadores da UFMG, Havard e Ministério da Saúde fizeram projeções sobre como será a evolução do coronavírus e o atendimento de saúde disponível no Brasil.

Pesquisadores divulgaram um manifesto para alertar que serviços hospitalares no Brasil devem começar a sofre escassez a partir do início deste mês por causa da pandemia do coronavírus. Se Belo Horizonte não tivesse adotado a medida de isolamento social, respiradores, leitos e vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) não seriam suficientes já em abril. A estimativa é que o colapso poderia ocorrer a partir do dia 27, sendo que leitos de UTI se esgotariam a partir do dia 13.

O estudo foi feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde e divulgado na última quarta-feira (1º). (Veja no fim desta reportagem quem são os pesquisadores).

No estudo, os pesquisadores indicam várias medidas para tentar reduzir o problema, mas apontam que as soluções mais eficazes são:

  • Construção de hospitais de campanha com novos leitos e ventiladores de respiração mecânica
  • Intensificação, sem relativização, do isolamento social
  • Aumento radical da testagem da população

Segundo os pesquisadores, o colapso se projeta em data diferentes para diferentes áreas do país. Eles citaram, como exemplo, as cidades de Fortaleza e de São Paulo. Enquanto a capital paulista levou 18 dias para confirmar o 100º caso, a capital cearense levou só 8 dias.

“Como estamos em uma etapa inicial de contágio da população brasileira, ainda é precoce estimarmos uma taxa de internação em UTI para o Brasil. Assim, foram adotados os cenários já relatados na literatura para a China e Itália, com um percentual de casos internados em UTI de 5% e 12%, respectivamente”, explicou Lucas Resende de Carvalho, pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG, um dos autores do trabalho.

Mas, os especialistas alertam que essas medidas podem, apenas, atrasar o colapso em uma semana, mas não serão capazes de evita-lo.

Belo Horizonte

Pelo estudo, a capital mineira, como macrorregião de atendimento de saúde, deve registar o esgotamento de seus leitos hospitalares entre 27 de abril e 1º de maio, dependendo das medidas dos governos.

A insuficiência de respiradores está projetada para acontecer entre 18 e 28 de abril. E o colapso de leitos de UTI está estimada para até o 13 de abril.

“Se hospitais de campanha não forem construídos com novos leitos e equipamentos, Belo Horizonte e macrorregião podem experimentar esgotamento de leitos de UTI já em meados de abril”, apontou o estudo.

hospital de campanha que está sendo construído pelo governo de Minas dentro do Expominas, em Belo Horizonte, tem previsão de começar a atender os pacientes no fim de abril. Nesta sexta-feira (3), a estrutura dos cômodos foi entregue.

Controle do estado

O estudo também apontou a transmissão do novo coronavírus deverá ser mais rápida entre a população que mora em comunidades e em favelas, onde o isolamento social é “praticamente inviável”. Portanto, essa população vai demandar mais do Sistema Único de Saúde (SUS), sobrecarregando toda a rede pública.

Os pesquisadores acreditam que uma “alternativa ética de equidade” durante a pandemia será “colocar temporariamente todos os hospitais privados sob o controle do Estado, uma medida adotada pela Espanha”.

Mas, essa medida por si só também só adiaria o colapso, sendo que somente a abertura de novos leitos pode aliviar a crise.

Medidas urgentes

A pesquisa indicou que o isolamento social adotado na sociedade brasileira está longe de ser o ideal e deve ser intensificado. Além disso, o governo deve agilizar a realização de testes no maior número de pessoas possível. A larga realização dos exames, permitindo rastrear os casos confirmados com mais agilidade, foi uma estratégia realizada com sucesso pela Coreia do Sul.

Os pesquisadores analisaram que, se medidas extremas e urgentes não forem adotadas, em pouco tempo os médicos brasileiros vão precisar escolher entre dois pacientes qual deverá receber tratamento por falta de recursos disponíveis.

Os pesquisadores

O manuscrito Demand for hospitalization services for Covid-19 patients in Brazil (Demanda por serviços de internação de pacientes com Covid-19 no Brasil, em tradução livre) é assinado por Lucas Resende de Carvalho, pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG; Marcia Castro, Rebecca Kahn e Taylor Chin, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos; e Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de vigilância em saúde, Giovanny Vinícius Araújo de França, coordenador-geral de informações e análise epidemiológicas da SVS, e Eduardo Marques Macário, diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis da mesma secretaria.

fonte: g1


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