Coronavírus: sem isolamento, BH registraria 500 mil infectados até maio, indica estudo da UFMG

Especialista afirma que número de óbitos em Minas Gerais poderia até dobrar sem a determinação das medidas.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais divulgou, nesta terça-feira (21), o número de 44 óbitos decorrentes por Covid-19, com outros 73 ainda em em investigação e com 1.230 casos confirmados, além de mais de 76 mil suspeitos. O número é alto, mas, segundo especialistas, a marca poderia ser muito maior caso as medidas de isolamento social fossem mais brandas.

Um estudo feito por pesquisadores das áreas de Matemática, Estatística e Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que, caso Belo Horizonte não tivesse adotado nenhuma medida de isolamento, cerca de 500 mil pessoas poderiam estar infectadas até o final de maio. Até o momento, a capital mineira teve 467 casos confirmados e 8 mortes.

O estudo, assinado por oito professores da faculdade mineira, indica que o isolamento “horizontal”, em que todas as pessoas participam da quarentena, independentemente de estarem ou não no chamado grupo de risco, é mais efetivo e resulta em números de pessoas infectadas bem abaixo do que nas medidas de isolamento “vertical” ou sem qualquer medida de quarentena.

Em outro trecho, os especialistas avaliaram que, quando apenas as pessoas consideradas como do grupo de risco, com idade acima de 60 anos e com outras doenças, ficam em isolamento, no chamado “isolamento vertical”, Belo Horizonte poderia registrar mais de 350 mil pessoas infectadas até o final de abril. “Isso já excederia a capacidade de atendimento da comunidade hospitalar da cidade”, pontua o texto. Atualmente, segundo o governo de Minas, há 459 pessoas com casos confirmados de coronavírus na capital do Estado.

“O que não podemos fazer de maneira nenhuma agora é diminuir o isolamento, pelo menos nos próximos meses, pois corremos o risco de ver a epidemia se acelerar, e todo o esforço que foi feito até agora terá sido em vão”, diz o professor Luiz Henrique Duczmal, um dos responsáveis pelo estudo.

Os dados usados como parâmetro pelo estudo são correspondentes ao avanço do coronavírus em Nova Iorque, nos Estados Unidos, cidade considerada como o epicentro da doença no país. O grupo também estudou a demografia da capital mineira para analisar a disposição da idade da população do município.

“Concluímos que o cenário de distanciamento vertical é quase tão ruim quanto o cenário em que nenhum distanciamento é feito, tanto em termos do número de infectados como na aceleração do número de casos. Por outro lado o distanciamento horizontal, se aplicado com a mesma intensidade em todos os grupos etários, reduz significativamente o número total de infectados e a aceleração do número de casos, ‘achatando a curva’ de crescimento da doença”, aponta conclusão do texto.

O estudo é assinado pelos professores Luiz Henrique Duczmal, Alexandre Celestino Leite Almeida, Denise Bulgarelli Duczmal, Claudia Regina Lindgren Alves, Flávia Costa Oliveira Magalhães, Max Sousa de Lima, Ivair Ramos Silva e Ricardo Hiroshi Caldeira Takahashi.

Dobro de mortes

Na avaliação do professor Unaí Tupinambas, da Faculdade de Medicina da UFMG, que também estudou o caso, o número de óbitos no Estado seria consideravelmente maior sem o isolamento.

“Seria até 100% maior, e a recessão econômica vem de qualquer forma. A história nos mostra que aquelas cidades, estados e países que tentaram o contingenciamento e a mitigação saíram mais rápido da crise”, aponta o infectologista.

fonte: g1

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