Disputas no Congresso atrasam investigações em Brumadinho

A viabilidade de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os responsáveis pela tragédia de Brumadinho (MG) se desfez em meio às disputas do Congresso. Na Câmara, deputados acusam o Senado de um lobby para instauração de uma CPI simples. No Senado, parlamentares se queixam da demora dos colegas em se decidir pelo tipo de processo investigativo a ser iniciado. O desastre no município mineiro deixou um total de 308 vítimas entre mortos e desaparecidos. Há mais de 100 órfãos e famílias aflitas por respostas, com medo de que a Vale escape de ser responsabilizada pelo rompimento da barragem.
Até mesmo o rio Paraopeba, que corta a região, morreu, envenenado por metais pesados da lama tóxica, como mostra um relatório da ONG SOS Mata Atlântica. A correnteza de rejeitos devastou 122 hectares de mata (o equivalente a 122 campos de futebol). A barragem da Mina Córrego do Feijão rompeu por volta de 12h20 de 25 de janeiro, uma sexta-feira, três anos, dois meses e 20 dias depois do rompimento da barragem de Mariana (MG), outra tragédia envolvendo a mesma mineradora. Apesar de não conseguirem se decidir, o temor de deputados ouvidos pelo Correio é de que a tragédia resulte em uma “pizza de minério”.
O Senado vai instaurar uma CPI nesta terça-feira, 12 de março, quando volta de um longo recesso de carnaval. Na Câmara, a indefinição permanece. Chefe da comissão externa de deputados e senadores que visitou Brumadinho, Zé Silva (Solidariedade-MG) está entre os defensores da CPMI, mas dá o assunto por encerrado. Ele explica que uma comissão investigatória com membros das duas casas teria mais poder e uma chance maior de resultados convergentes.
“Respeito os argumentos de que o presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP), utilizou. Houve uma decisão de líderes de criar uma CPI e não há, regimentalmente, nesse caso, uma reunião prevista para o Congresso. Mas, será que este desastre, um crime bárbaro, não é motivo para uma reunião?”, reclama Zé Silva. “Agora, as duas Casas vão agir com sua autonomia. Nossa preocupação é de que uma CPI simples protele a punição dos culpados.”
A 785km do Congresso, em Brumadinho, a professora de educação infantil Natália de Oliveira, 47 anos, luta para saber o paradeiro da irmã, Lecilda de Oliveira, funcionária da Vale, mãe de dois filhos. Ela também teme que os culpados pela tragédia saiam impunes da investigação. “Temos que gritar a nossa dor. Se tivéssemos gritado mais alto por Mariana (MG), talvez, nada disso tivesse acontecido. Minha irmã saiu para trabalhar em uma sexta e não voltou. Ela está fazendo hora extra? Meus sobrinhos sentem uma tristeza sem fim”, desabafa (leia depoimento).
Por telefone, o senador Otto Alencar (PSD-BA) argumenta que não era possível esperar a Câmara. Segundo ele, quando deputados procuraram o Senado, os parlamentares já tinham entrado com o pedido de CPI. “A Câmara tem dois grupos buscando instaurar a CPI. A tentativa de fazer uma CPMI ia postergar muito o início dos trabalhos de investigação. O Alcolumbre leu nosso requerimento no plenário e se comprometeu em uma reunião de líderes. Faremos um bom trabalho. Ouviremos os responsáveis, inclusive ex-governantes. Temos que apontar os culpados pela tragédia”, compromete-se.

Fonte:https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/03/11/interna-brasil,742069/disputas-no-congresso-atrasam-investigacoes-em-brumadinho.shtml

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