Dossiê Carlos Viana: senador é ligado a mineradoras há quase uma década

Senador Carlos Viana em evento promovido pelo setor de mineração no ano de 2012.

Eleito senador em sua primeira disputa eleitoral, o Senador Carlos Viana (PSD-MG), está em uma disputa para assumir a relatoria de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que deve ser instalada no Senado Federal até a próxima terça feira (12-03). Viana é acusado por adversários de servir aos interesses das mineradoras que se propõem a investigar, uma vez que um dos maiores financiadores de sua campanha foi o empresário Luis Fernando Francischini da Rosa, empresário do ramo de mineração, com atuação direta no Córrego do Feijão em Brumadinho, local da tragédia do último dia 25 de janeiro.

Viana alega que não sabia a origem do dinheiro, e que Francischini teria sido trazido para sua campanha pelo presidente do seu então partido, o PHS, o também Deputado Federal Marcelo Aro.

Aro por sua vez, tratou de desmentir o senador, confirmando as especulações de que Viana é quem teria trazido o executivo ligado à Vale para sua campanha, chamando inclusive o senador de “desleal” e “mentiroso”.

Agora, documentos obtidos com exclusividade pela reportagem do BH NOTÍCIAS, mostram que a ligação de Viana com as mineradoras é muito mais antiga do que se imaginava: o Senador participou de inúmero eventos do setor de mineração, sempre posando ao lado dos grande executivos do setor e esteve presente, inclusive, na festa de casamento da filha de Fernando Coura, Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, em um evento somente para convidados e amigos íntimos dos noivos.

Os documentos obtidos por nossa reportagem, mostrando que Viana sempre esteve a serviço da Mineração, e que fez vários eventos para o setor de Mineração em Minas, em especial para o Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais.

Um dos eventos mediados pelo Senador Carlos Viana e pago por Fernando Couras, o “SEMINÁRIO DE MEDIAÇÃO AMBIENTAL”, ocorrido em 21 de agosto de 2017, contou inclusive com a presença do secretário de meio ambiente do Estado de Minas Gerais, Senhor Germano Luiz Gomes Vieira, que também é acusado de ter participação na tragédia de Brumadinho, uma vez que o mesmo reduziu o nível do risco de rompimento da barragem do córrego do feijão, pouco mais de um mês antes da tragédia.

No dia 23 de abril de 2013, um mês antes da Licença de Operação da Barragem de Santarém em Mariana se desvalidar, uma festa de gala, no edifício Alta Vila, uma das mais caras casas de eventos de Belo Horizonte, premiou boa parte da elite mineira. Naquela noite comemorava-se o casamento entre o empresário José Guilherme Ramos e Fernanda Coura, filha do presidente do sindicato das mineradoras, José Fernando Coura.

A correnteza de rejeitos tóxicos, lama e minério que destruiu a comunidade de Bento Rodrigues, em Minas, matou dezenas de pessoas, desabrigou centenas e irá mudar a vida ambiental da mais importante bacia hidrográfica da região Sudeste, não surgiu naquela noite: sua concepção ao mundo é melhor entendida quando as figuras que brindavam e bebiam no Alta Vila são identificadas.

Mas, antes da análise da comemoração, um avanço no tempo é necessário. Em fevereiro de 2015, tomam posse os 77 parlamentares da nova legislatura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Entre novatos e macacos velhos da política, os corredores da Casa mineira recebem, também, o então lobista José Guilherme Ramos. Com rara habilidade política, Ramos visita, gabinete a gabinete, cada deputado que fora agraciado com doações de campanha das mineradoras. Sua passagem não é apenas para congratular a vitória de aliados. Ali, naquele momento, ele pesquisava, sondava e negociava cada nome que integraria a Comissão de Minas e Energia da Assembleia mineira.

O colegiado, desde que o mundo é mundo, sempre foi o refúgio e o ombro amigo das empresas mineradoras que passam por Minas Gerais. Cada nome estrategicamente colocado lá pelo setor atua pelos interesses deste mercado. O esforço não é à toa, é nessa comissão que se analisam todos os projetos, requerimentos e pedidos que envolvem a área da mineração.

Dias depois da visita a negócios na ALMG, José Guilherme Ramos foi nomeado, pelo então governador Fernando Pimentel (PT), como novo subsecretário de Política Mineral do Estado. Voltemos a 2013.

Entre os quase 1.000 convidados no casamento de José Guilherme Ramos, destacam-se a presença do então ministro da Indústria, Fernando Pimentel, do ex-governador Alberto Pinto Coelho (PP), do então presidente da ALMG, Dinis Pinheiro (PP), do então secretário de Meio Ambiente, Adriano Magalhães, do presidente da Vale, dona da Samarco junto à BHP Billiton, Murilo Ferreira, dos deputados Gil Pereira (PP), Durval Ângelo (PT), Bosco, Gustavo Valadares (DEM), Gustavo Corrêa (PSDB), Marcos Montes (DEM), Virgílio Guimarães (PT), Adelmo Leão (PT), Luiz Fernando Faria (PP) – que foi presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal -, Jairo Lessa (PSD), Ivair Nogueira (PMDB), Dilzon Melo (PTB) e Tiago Ulisses (PMDB). Gabriel Guimarães (PT), que, na última segunda (9 de novembro), abriu requerimento na Câmara para que a tragédia fosse investigada por uma Comissão Especial, também apareceu no evento.

O então secretário de governo de Antonio Anastasia, Danilo de Castro, também comparece, assim como o presidente da Fiemg, Olavo Machado, o atual secretário de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz (PMDB), os jornalistas Paulo César Oliveira, Carlos Lindenberg, do jornal Hoje em Dia, Carlos Viana, da Rádio Itatiaia e o diretor geral da Band Minas, José Dualibi. O diretor da empresa Rima Industrial Ricardo Vicintin, e seu cunhado, o então deputado Bernardo Santana (PR), hoje secretário de Estado de Defesa Social, também marcam presença. Diretores e lobistas ligados à Samarco também prestigiam a festa de Ramos.

Coincidentemente, todos os políticos presentes receberam, nas eleições de 2010 e 2014 (quando ainda eram permitidas as doações empresariais), contribuições do setor de mineração. Coincidentemente, todos atuam e sempre atuaram por benefícios às mineradoras. Só o ex-governador Fernando Pimentel teve a campanha irrigada com quase R$ 2 milhões doados pela Vale, proprietária da Samarco. O secretário de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz, também recebeu R$ 200 mil de mineradoras durante sua campanha. Desde então, a atuação de ambos tem privilegiado o mercado e ignorado avaliações feitas por especialistas e ambientalistas.

Três semanas antes da tragédia em Mariana, o governador enviou à Assembleia, em regime de urgência, um projeto de lei que acelera os processos de licenciamento ambiental, beneficiando as empresas de mineração. Além disso, a secretaria de Estado de Meio Ambiente passaria a ter a prerrogativa de assumir o encaminhamento sobre licenciamento ambiental, inclusive estabelecendo prazos para projetos considerados prioritários ao governo. Ou seja, uma carta na manga para os aliados do setor.

Com esse lamaçal político é mais fácil entender o porquê de a imprensa e o poder público estarem tomando as dores da Samarco (Vale e BHP Billinton), e não daqueles que supostamente deveriam defender, isto é, a população mineira e brasileira.









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1 COMENTÁRIO

  1. Já era de se esperar deste senhor está barbárie preconceituoso, racista mauricinho que sempre usou os microfones pra esconder a sua verdadeira identidade lógico que ele vai querer ser o relator desta CPI pra esconder a podridão desta corja assassina que seifou centenas de vidas em nosso estado. Deus é sua hora vai chegar. 😡😡

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