Impulsionada por escolas e empreendedores, comunidade maker ganha adeptos em BH

Você é do tipo que gosta de arrumar tudo que estraga em casa? Está sempre inventando um objeto, arrumando soluções para facilitar a vida e montando gambiarras para resolver problemas? Conhece alguém assim? Talvez você não saiba, mas, hoje, já existe um nome mais “tecnológico” para chamar essas pessoas. São os “makers” que, impulsionados por escolas e universidades, por empresas e empreendedores, desenvolvem um movimento que ganha, a cada dia, mais adeptos em Belo Horizonte. E já são várias comunidades de pessoas que gostam da ideia de “faça você mesmo”.

“Então, tudo o que a gente tem aqui são essas possibilidades que a gente alavanca, de permitir que as pessoas façam, aprendam, criem, fabriquem e desfrutem daquilo que gostam”, afirma o fundador e proprietário do “Faz Maker Space”, Carlos Ribeiro.

“A gente brinca que os passos para ser um fazedor passam por isso: Você tem que aprender, criar, fabricar e desfrutar. E a gente quer apoiar essa jornada completa”.

Pessoas de diferentes profissões desenvolvem seus trabalhos em espaço maker de BH — Foto: Humberto Trajano/G1

Pessoas de diferentes profissões desenvolvem seus trabalhos em espaço maker de BH — Foto: Humberto Trajano/G1

Esse espaço maker, ou fab lab, como também é conhecido, situado na Avenida Afonso Pena, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, é uma espécie de coworking, que oferece suporte e ferramentas para diversos tipos de trabalho. Há impressoras 3D, máquina de corte a laser, prensa à vácuo, equipamentos para marcenaria, serralheria e eletrônica. “As pessoas vêm com um problema e damos consultoria para propor solução”, explicou Haline Barbosa, sócia do empreendimento.

Para usar o espaço e desfrutar de tudo o que ele oferece, o interessado precisa comprar créditos – a unidade sai por R$ 60 e o tempo de uso varia de acordo com o tipo de máquina. Para quem usa mais constantemente, também dá para fazer um plano mensal. Carlos Ribeiro diz que uma das motivações para abrir o “Faz Maker Space” foi “a percepção do momento econômico que a gente vive hoje; a necessidade de potencializar a capacidade da nossa indústria criativa, de dar oportunidade para as pessoas”.

Além de dar orientação, cursos, manutenção e consultoria, o espaço é um ambiente plural que possibilita o encontro de pessoas que desenvolvem os mais diferentes trabalhos e compartilham ideias e experiências.

“Aqui é um networking incrível. Criou-se uma comunidade. Eu recebo dicas, também dou palpite no trabalho dos outros. O convívio é muito bom”, afirmou o microempresário Gustavo Nebias, cliente do espaço há dois anos.

Formado em administração, Nebias era dono de uma lanchonete em um shopping popular no Centro de Belo Horizonte. Ele conta que começou a fazer os brinquedos por hobby em casa. A partir daí, começaram a surgir pessoas interessadas. Ele viu que tinha um mercado potencial e passou a pesquisar sobre máquinas a laser para cortar o papelão. Foi o vendedor de uma dessas máquinas que indicou o espaço para começar a trabalhar com o corte a laser.

Gustavo Nebias usa espaço maker para fabricar brinquedos de papelão, que vende para lojas em BH, RJ, SP e Curitiba — Foto: Humberto Trajano/G1

Gustavo Nebias usa espaço maker para fabricar brinquedos de papelão, que vende para lojas em BH, RJ, SP e Curitiba — Foto: Humberto Trajano/G1

Gustavo diz que passou a usar o fab lab para fabricar brinquedos de papelão – barcos, aviões, robôs e casas para montar e colorir. O hobby virou um trabalho e sua atividade econômica principal. Agora, o microempresário já produz os brinquedos em uma escala maior, com ferramentas próprias, e vende para lojistas em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Gustavo diz que ainda usa o espaço, para produzir peças sob demanda e em quantidades menores.

Pessoas de diferentes formações e com diversos objetivos convivem em harmonia no Faz. Cada uma desenvolve um trabalho.

“Por ser uma casa aberta, atendemos desde uma dona de casa que precisa de alguma ferramenta, a arquitetos, designers, trabalhadores da indústria”, conta Haline.

Álvaro Andrade trocou a profissão de fisioterapeuta pela de artesão. Fabrica peças religiosas em madeira. “Esta agora é minha missão. Consigo evangelizar através dos meus produtos”. Ele, que vende suas peças para lojistas e igrejas, conheceu o “Faz” em uma feira de tecnologia no ano passado e decidiu começar a produzir.

Carlos Ribeiro é fundador do Faz Maker Space. Ele conheceu iniciativa nos EUA  — Foto: Humberto Trajano/G1

Carlos Ribeiro é fundador do Faz Maker Space. Ele conheceu iniciativa nos EUA — Foto: Humberto Trajano/G1

Carlos Ribeiro destaca que já há um grupo no estado de difusão da cultura, é o Trem Maker, com células em Betim, na Região Metropolitana; Itabira, na Região Central; Januária, no Norte; Patos de Minas, no Centro-Oeste; e Viçosa, na Zona da Mata.

“A gente está aqui para gerar opção econômica. A gente tem que mostrar que isso funciona. Acho importantíssimo isso”, afirmou o proprietário do espaço.

Nas escolas

Os fab labs – como também são conhecidos esses espaços- e a cultura maker já fazem parte de escolas e universidades em Minas Gerais. Entre as instituições, está o Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que disponibiliza para comunidade em geral e aos estudantes “infraestrutura para materializar ideias”, diz o gestor do Senai Lab Ricardo Aluísio. “Nos Senai Labs a pegada é mais educacional; já no laboratório aberto é mais empreendedora”, explica.

O laboratório aberto ao público no bairro do Horto, na região Leste de Belo Horizonte, conta com equipamentos de manufatura digital e manufatura convencional, que podem ser usados por qualquer pessoa. Há equipamentos para eletroeletrônica, corte a laser, máquina CNC para madeira, impressão 3D, marcenaria, pintura e arduino – plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre. Por R$ 180 por mês, qualquer um pode usar os equipamentos disponíveis no laboratório e receber orientação técnica para o desenvolvimento de projetos. Os insumos são cobrados, mas a orientação é de graça, segundo o gestor.

Senai conta com laboratório aberto em camihão itinerante  — Foto: Sebastião Jacinto Jr./Fiemg

Senai conta com laboratório aberto em camihão itinerante — Foto: Sebastião Jacinto Jr./Fiemg

Nas escolas da rede Senai, existem os Senai Labs, para os estudantes. Há também o lab truck – um caminhão que roda o estado, fazendo paradas em diversas cidades. O Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial ainda desenvolve, atualmente, o container lab – que será instalado em pontos estratégicos. As escolas do Senai oferecem cursos voltados à cultura maker, como o de manufatura digital – impressão 3D –; de arduíno e iniciação em IoT – internet das coisas, afirma Aluísio.

Segundo o coordenador do Senai Lab, a instituição está ampliando os labs para todas as 62 unidades do estado, no intuito de estimular a criatividade e o networking dos alunos.

“Nós acreditamos no movimento. As pessoas estão cada vez mais se interessando com a cultura de faça você mesmo. O movimento está muito bom e a gente quer que ele amplie”, disse.

Fantasma produzido em impressora 3D — Foto: Humberto Trajano/G1

Fantasma produzido em impressora 3D — Foto: Humberto Trajano/G1

Espaço conta com diversas máquinas e ferramentas para marcenaria, serralheria e eletrônica — Foto: Humberto Trajano/G1

Espaço conta com diversas máquinas e ferramentas para marcenaria, serralheria e eletrônica — Foto: Humberto Trajano/G1

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/04/17/impulsionada-por-escolas-e-empreendedores-comunidade-maker-ganha-adeptos-em-bh.ghtml

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