Minas tem 88,5% dos leitos de UTI ocupados, aponta Ministério da Saúde

Documento mostra ainda déficit de 369 leitos de enfermaria no Estado para atender pacientes contaminados pelo coronavírus

Na corrida contra o tempo pelo aumento de leitos de UTI e compra de respiradores – equipamentos essenciais para tratar os casos graves de coronavírus e evitar ainda mais mortes –, um documento do Ministério da Saúde, do dia 27 de março, mostra que 88,5% das unidades de tratamento intensivo estão ocupadas em Minas Gerais. 

Conforme o mapeamento, o índice mineiro é o terceiro pior do Brasil, atrás apenas daquele de Mato Grosso do Sul (90,8%) e do Paraná (90%). Já unidades federativas com menor ocupação são Distrito Federal (59,1%) e Amazonas (61%) – a média do país fica em 78%. Os números foram divulgados pelo jornal “O Globo”.

Hoje, o governo do Estado confirmou a primeira morte pelo coronavírus em Minas, e outros 23 óbitos continuam investigação – ao todo, há 261 casos confirmados, e outros 29.724 aguardam o resultado dos exames. A estimativa do Ministério da Saúde aponta que, para os próximos 30 dias, sejam necessários 471 leitos de UTI livres por conta da pandemia do coronavírus. Ao todo, Minas conta com cerca de 2.000, sendo que 221 estavam sem pacientes na data de divulgação do documento.

Questionado sobre a alta taxa de ocupação do sistema, o Ministério da Saúde disse que está em elaboração um plano, em conjunto com gestores locais, que tem o “objetivo de desafogar e reduzir a ocupação de leitos de terapia intensiva, com medidas clínicas, de manejo de pacientes e de gestão. Além de otimizar a infraestrutura existente, o planejamento busca adequar a oferta de leitos nas regiões de menor assistência, com a criação de novos leitos”, informou em nota.

O texto lembra que, com a adoção de medidas como a suspensão de cirurgias não urgentes e o menor número de internações por traumas devido às restrições de circulação nas ruas, a queda na ocupação dos leitos de UTI no país chega a até 50%.

Leitos de enfermaria

O documento trouxe também a situação dos leitos de enfermaria, utilizados nos casos menos graves de coronavírus. Em Minas Gerais, há 2.040 unidades disponíveis, e, segundo cálculos do Ministério da Saúde, seriam necessários 2.409 para os próximos 30 dias – um déficit de 369 leitos. O índice é o quarto menor do país, atrás dos de São Paulo, Roraima e Paraná. Em todo o país, a falta de leitos chega a 19,5 mil.

Estratégia não é suficiente, diz especialista

Para o diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling, estratégias como suspender cirurgias e remanejar pacientes, sozinhas, não são suficientes para melhorar a disponibilidade de leitos de UTI. “É uma medida que tem sido tomada em praticamente todos os Estados”, enfatiza.

Porém, o especialista, que também é membro do comitê criado para enfrentamento da pandemia do coronavírus em Belo Horizonte, garante que o sistema de saúde está se preparando para o aumento do número de casos com outras medidas. “Tem inúmeras iniciativas para ampliação do número de leitos de emergência, como a estruturação dos hospitais de campanha em várias regiões”, afirma.

Leitos extras no Estado

Para expandir o número de leitos de UTI, o governo de Minas Gerais já anunciou a criação de um hospital de campanha nas dependências do Expominas, no bairro Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte. Os equipamentos e respiradores começaram a chegar na última quinta-feira (26), e a expectativa é que as obras ocorram em três etapas – a primeira, que envolve a montagem da estrutura, estará pronta na próxima sexta-feira.

De acordo com o Executivo estadual, os dois galpões do espaço serão utilizados para a instalação de 800 leitos para pacientes graves e outros 100 para os casos mais simples – ao todo, a estrutura vai contar com 18 mil metros quadrados e 60 toneladas de equipamentos. Um necrotério será montado no Parque da Gameleira, que fica ao lado, e o estacionamento pode ser usado para a instalação de tendas. Pelo menos 100 profissionais trabalham diariamente, em turnos de 24 horas, para agilizar a conclusão das obras.

A Secretaria de Estado de Saúde ainda estuda a criação de hospitais de campanha nas cidades de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, e Barbacena, no Campo das Vertentes. A pasta ainda não informou quando as estruturas começarão a ser montadas no interior.

Sobre a taxa de ocupação dos leitos em Minas Gerais e o déficit de leitos de enfermaria, a pasta não se tinha posicionado até o fechamento desta reportagem.

fonte: o tempo

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