Palco de eventos diversos, Estádio Mineirinho completa 39 anos em BH

Ao longo de 39 anos, o Mineirinho, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, foi palco de importantes competições esportivas, além de grandiosos eventos artísticos. O Estádio Jornalista Felipe Drummond faz parte da memória afetiva dos belo-horizontinos e possui uma história repleta de controvérsias. Roberto Carlos, Xuxa e Chacrinha são algumas atrações que passaram por lá. “O Mineirinho nasceu para ser a redenção do esporte especializado em Minas”, define o senhor Afonso Celso Raso, gestor que esteve à frente da obra inaugurada no dia 15 de março de 1980.

O aniversariante é objeto de pesquisa da doutoranda Luciana Cirino Lages Rodrigues Costa, na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O trabalho em andamento no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer recupera as tramitações necessárias para que o ginásio se tornasse realidade. “O espaço foi cedido pela UFMG. O projeto aconteceu por meio de parcerias entre órgãos do governo federal, prefeitura e governo do estado, que ficou responsável pela gestão”, explica a pesquisadora.

Ainda segundo Luciana Cirino, o Mineirinho foi gerido pela Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (Ademg) até a extinção da autarquia, em 2013. Atualmente, o estádio é administrado pela Secretaria de Estado de Esportes (Seesp).

Afonso Celso Raso, 86, foi diretor-geral da Ademg durante sete anos. “O Mineirinho ganhou contorno nesses anos e foi inaugurado em 1980. Ele ainda não estava completamente acabado”, conta o advogado, professor universitário e presidente de honra do América. Na casa onde vive há mais de três décadas, próxima ao Mineirinho, ele mantém um acervo com documentos e fotografias que conservam a história do ginásio. “As palmeiras ‘nasceram’ no Mineirinho do dia para a noite. Na véspera da inauguração, elas ainda não estavam lá”, relembra.

Para o Secretário Adjunto de Esportes Adenílson Idalino de Sousa, o estádio “faz parte da história do esporte de Minas Gerais”. Ele destaca ainda que o Mineirinho não gera gastos para o estado porque o dinheiro arrecadado com os eventos culturais e artísticos paga o que é demandado para as práticas esportivas e de manutenção. A conservação do estádio, no entanto, preocupa os apaixonados por esporte.

Espaço ‘multiuso’

“Ele seria para o esporte especializado o que o Mineirão significou para o futebol mineiro. Ele veio também para cobrir lacunas que a cidade tinha na área cultural, na área artística, na área esportiva, universitária…”, afirma o senhor Raso. Nessas quase quatro décadas, o Mineirinho recebeu diversos campeonatos mundiais de vôlei, exibições de ginástica olímpica e a edição 147 do UFC.

Ricardo Celso Raso, filho de Afonso, foi estagiário na Ademg durante as obras de construção do Mineirinho, trabalhou na autarquia a partir de 1980 e atuou como Superintendente de Gestão de Estruturas Esportivas da Seesp até 2018. Ao longo desses anos, acompanhou eventos curiosos no estádio, como uma linha de montagem de lembrancinhas de Natal, com mais de 4 mil pessoas, e um campeonato de arco e flecha indoor.

Holiday On Ice, Ballet Bolshoi, casamentos comunitários, eventos religiosos (como a Missa da Unidade e o Festival Promessas), formaturas, encontros políticos, eventos universitários e o touro Bandido também já ocuparam o local.

Na área cultural, foram muitos os nomes que passaram pela arena, como Roberto Carlos, Xuxa, Fofão, Rita Lee, Agnaldo Timóteo, Mercedes, Caetano Veloso, Chacrinha, Mamonas Assassinas, Kiss, Rihanna, RBD, Green Day, 50 Cent, Bob Dylan, Creedence, Scorpions, Peter Frampton, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Guns’n Roses e Maestro Andre Rieu.

No momento, o espetáculo “Ovo”, do Cirque du Soleil, está em cartaz no Mineirinho. Para comportar o espetáculo, a produção do show providenciou alguns ajustes na parte elétrica e nas cadeiras, além da instalação de um ar condicionado. “A passagem do evento traz benefícios que vão ficar. A gente tem que ter esse cuidado. São nesses contratos de permissão de uso que a gente consegue dar a manutenção que o Mineirinho precisa”, pontua o Secretário de Estado Adjunto de Esportes Adenílson Idalino de Sousa.

A dupla Sandy e Júnior (que estava separada desde 2007), anunciou uma turnê na última quarta-feira (13) e vai se apresentar no estádio em agosto deste ano.

‘Vitória do otimismo’


Irmão mais novo do Mineirão, inaugurado em 1965, o Mineirinho foi projeto pelo arquiteto Richard Lima e também é tombado como Patrimônio Cultural do Município. Chamado de Palácio dos Esportes na época, o ginásio de mais de 54.000 m² de área construída foi inaugurado com o slogan “Vitória do otimismo”, em um clima de muita festa. Participaram da cerimônia, no dia 15 de março de 1980, atletas como João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, a tenista Maria Esther Bueno e o automobilista Emerson Fittipaldi. O governador de Minas Gerais daquela gestão, Francelino Pereira, assim como os ex-governadores Rondon Pacheco e Aureliano Chaves também estiveram presentes na solenidade.

“Sabe quanto o Ziraldo me cobrou para fazer toda a programação visual do Mineirinho? Nada!”, contou o senhor Afonso, que é amigo do ilustrador. Ricardo Celso Raso acrescenta que Ziraldo foi responsável pela escolha de detalhes da estrutura, como a cor da madeira e a do ferro vermelho. O artista também criou o símbolo do estádio e um mascote, o Mineirinho, com cabelos compridos, força de atleta e um lápis atrás da orelha.

Feira do Mineirinho

Desde 2003, a Feira do Mineirinho é realizada no local, com exposição de produtos como artesanato, móveis, comida e roupas, além de apresentações musicais. De acordo com o administrador do empreendimento, Willian Martins, o evento recebe cerca de 50 mil visitantes por mês.

Adriana Cristina Santos expõe peças em cerâmica pintadas por ela, na Feira do Mineirinho, há mais de 15 anos. De acordo com a comerciante, a localização do estádio – que fica próximo à UFMG e ao Complexo Arquitetônico da Pampulha – favorece a vinda de turistas. A feira é realizada nas quintas-feiras, das 17h à meia-noite, e, aos domingos, das 8h às 18h.

Desafios

De acordo com o Secretário de Estado Adjunto de Esportes, o maior desafio é oferecer ao Mineirinho a manutenção adequada demandada pelo espaço. “Há necessidade de manutenções que não podem ser feitas, pelo momento de contingenciamento de recursos que a gente passa no estado, já há algum tempo, não é de agora”, explica Adenílson Idalino de Sousa.

Para Afonso Celso Raso, que comandou a equipe de construção do estádio, a comemoração do aniversário do Mineirinho divide espaço com a tristeza. “O Mineirinho está precisando retomar uma fase de maior brilho, o governo tem que pensar que este é um dos maiores monumentos da cidade de Belo Horizonte e precisa de todo o amparo, de todo o respeito, para aparecer em todo o mundo como uma obra genial que enche de orgulho não só a Minas, mas ao Brasil”, completa.

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/03/16/palco-de-eventos-diversos-estadio-mineirinho-completa-39-anos-em-bh.ghtml


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