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Polícia Civil abre inquérito para investigar tatuador suspeito de assédio em Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais abriu um inquérito, nesta quarta-feira (20), para apurar denúncias sobre a conduta do tatuador Leandro Caldeira, dono de um estúdio na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Cerca de 40 mulheres usaram as redes sociais para denunciar abusos que teriam sofrido durante sessões de tatuagem. No último sábado (16), Duda Salabert, criadora da ONG Transvest, fez uma postagem nas redes sociais explicando que só se tatua com mulheres. Na publicação, ela perguntou aos seus seguidores se alguém já havia sofrido assédio em estúdio de tatuagem. “Eu recebi mais de 100 mensagens, envolvendo todo o estado, e mais de 40 delas foram sobre esse estúdio da Savassi”, contou a ativista ao G1.

De acordo com a delegada Ana Paula Balbino, que comanda a investigação, a polícia começou a agir imediatamente após tomar conhecimento das denúncias. Devido ao sigilo desta fase do inquérito, ela não detalhou quantas vítimas já teriam sido identificadas e formalizado as denúncias, mas garantiu que diligências já foram feitas.

“Assim que a Polícia Civil, a Delegacia Especializada de Combate a Crimes Sexuais, teve ciência dos fatos, inclusive com vítimas procurando o plantão – que funciona 24 horas – já instauramos imediatamente o inquérito policial a fim de apurar a denúncia”, destacou a delegada.

Ainda segundo Ana Paula Balbino, o percurso das investigações também servirá para qualificar o delito, já que a lei que tornou crime a importunação sexual é de setembro de 2018. A pena prevista pela legislação é de um a cinco anos de prisão.

Depois de Duda compartilhar um dos relatos, outras mulheres apareceram nas redes sociais, narrando situações parecidas. De acordo com as postagens, o tatuador passava a mão no corpo das clientes enquanto fazia o desenho na pele.

Em entrevista ao G1, uma das denunciantes relatou que foi assediada em janeiro do ano passado, enquanto tinha o antebraço tatuado. “Ele colocou minha mão no colo dele, eu percebi que ele estava excitado e fazendo movimentos de vai e vem”, disse a mulher de 27 anos que prefere não se identificar. Ela contou que chamou a polícia e registrou uma ocorrência na ocasião.

Outra mulher disse à reportagem que foi fazer a primeira tatuagem dela, em 2012, na costela, e o tatuador pediu que ela ficasse sem sutiã. Além disso, ele também teria colocado a mão dela no colo dele. “Ele marcou um horário já à noite, me deixou lá umas três, quatro horas deitada, fiquei com medo de reagir. Ele jogava tinta no meu peito e ficava passando a mão para ‘limpar’”, relatou a mulher que tinha 18 anos na época.

Ainda segundo Duda Salabert, um grupo de mulheres está se mobilizando para procurar o Ministério Público. “Já procuramos a Defensoria Pública e advogadas populares para entrar com uma ação coletiva”, disse a professora.

O que diz o investigado

Por uma rede social, o tatuador negou as acusações e disse que trabalha na profissão há vinte e dois anos, sem nenhuma mácula em seu currículo. Ainda na postagem, Leandro Caldeira afirmou que vai registrar um Boletim de Ocorrência “para apurar todas as calúnias, injúrias e difamações” contra o nome dele.

Procurado, o suspeito disse que vai “dar a volta por cima” e conseguir provar que é inocente. “Nego tudo, sou inocente”, repetiu Caldeira.

Outras denúncias

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, um registro de ocorrência simplificado foi feito anteriormente contra o tatuador, mas a vítima não procurou a delegacia para ratificar a denúncia. Ainda de acordo com a PC, a orientação da corporação, em todos os casos, é fazer a denúncia o quanto antes, para poder dar andamento à investigação.

Em BH, o atendimento é realizado atualmente em novo endereço – 24 horas – na Avenida Barbacena, 288, no Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/03/20/policia-civil-abre-inquerito-para-investigar-tatuador-suspeito-de-assedio-em-belo-horizonte.ghtml

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