Produtores de flores cobram reabertura em BH e afirmam que situação já é de ‘colapso’

Setor alega que perdeu o mercado consumidor ativo com a pandemia do coronavírus e quarentena imposta ao comércio da capital

Produtores de Minas Gerais lutam há mais de 30 dias para que o prefeito Alexandre Kalil(PSD) autorize a liberação da reabertura das floriculturas em Belo Horizonte. Minas é o segundo estado brasileiro com mais produtores de flores. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), há mais de 500 produtores cultivando cerca de 2,5 mil hectares, com 160 variedades de flores de corte e de vaso. O trabalho, entretanto, perdeu o mercado consumidor ativo com a pandemia do coronavírus. 

De acordo com o presidente  da Associação de Distribuidores e Produtores de Flores de Minas, Flávio Vieira, a situação é de “colapso”. Ele alega que, como as floriculturas foram fechadas, muitos dos pequenos produtores do estado não conseguem mais receber e estariam sem dinheiro até para comida. “A gente está fazendo nosso melhor, mas são pequenos produtores, localizados no interior do estado, muitos cercados por quase nada. Esse dinheiro era a renda deles. E aí, como a gente faz?”, questiona. “O processo é complicado. Quando está na época de colheita, tem que colher. Não pode esperar, dá praga e diversas outras coisas. Com isso, as flores estão sendo jogadas fora. Muito triste”, conta. 

Vieira diz que encontrou uma solução para evitar que as flores fossem parar no lixo. Em parceria com as empresas Mercado das Flores, Holanbelo Flores e Plantas e Minas Flor, foram feitos arranjos montados com a colaboração de 20 decoradores voluntários e floristas freelancers para serem entregues a pessoas envolvidas nas áreas da saúde, tratamento e no combate à COVID-19. “Foram distribuídos mais de 200 abraços através de arranjos de flores e vasos”, diz. 

A entrega das flores ocorreu na última sexta-feira (24) no Hospital Vila da Serra (aproximadamente 300 arranjos), no Posto de Saúde Santa Cruz (cerca de 50), Posto de Saúde Ermelinda (50), unidade 16 no Centro de Saúde de Contagem e Pronto-Socorro JK, em Contagem (50). 
Em uma tentativa de reduzir as perdas do setor, foi criada uma campanha para as pessoas consumirem mais flores em casa. Apesar do sucesso inicial, a iniciativa perdeu força com o fechamento do comércio. “Com as floriculturas fechadas, o consumidor não tem onde comprar”, observa Vieira.
Ainda de acordo com o representante do setor, os floristas que tinham uma reserva financeira estão “segurando o mercado”. Ele prevê que o consumo de flores só volte ao normal a partir da segunda quinzena de julho. “Muitos produtores não vão aguentar esse período. Então, a gente vai ter muito mais desempregados”, projeta.

Reabertura do comércio

Na última terça-feira (28), o governo mineiro lançou cartilha de orientação para cidades que queiram retomar as atividades comerciais durante a pandemia. O programa Minas Consciente foi desenvolvido pelas secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e de Saúde (SES-MG).
Apesar das orientações do governo mineiro, Vieira explica que, para reabertura das floriculturas em Belo Horizonte, é preciso que o prefeito Alexandre Kalil autorize. “Está sendo exaustivo. Porque o governo mineiro fala uma coisa, o municipal, outra. E mesmo com o apoio de alguns vereadores e reuniões com os secretários, a gente segue na mesma situação há mais de 30 dias”, reclama. 
Em coletiva de imprensa, o governador Romeu Zema (Novo) disse que a reabertura do comércio em Minas Gerais em meio à pandemia seria uma “volta a uma nova normalidade” e não uma “volta a normalidade”. Já Kalil declarou que, em princípio, não há data para reabertura.

fonte: Estado de Minas

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