Projeto de combate à malária de estudante de medicina da UFMG ganha destaque mundial

Disciplina. Este é o segredo do estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Louison Mbombo para conciliar a rotina da vida acadêmica com a atribulada agenda internacional. O congolês de 24 anos, que mora em Belo Horizonte há seis, ganhou o mundo com um trabalho inédito de erradicação da malária no país natal, que combina conhecimentos médicos com análise de dados e inteligência artificial.

O jovem acaba de voltar da Holanda, onde foi indicado para Prêmio de Melhor Inovação Humanitária, e já embarca, na próxima segunda-feira (11) rumo ao país natal, para participar de Reunião Técnica do Plano Estratégico Nacional do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária.

“Muita gente me pergunta isso [como conciliar eventos internacionais com estudos]. Sei me organizar bem. Não falto a aula por bobagem. Só quando viajo. Você não vai me ver numa festa. Acho que dá para fazer tudo quando se tem disciplina”, disse, rindo.

Louison mora em Belo Horizonte desde 2013. Veio como refugiado durante instabilidade política no seu país. “Sou filho de um político. Meu pai era líder da oposição. A instabilidade política o levou à morte”, contou o congolês, que tem um irmão mais novo, estudante de direito internacional no Canadá. Hoje, ele comemora um momento mais tranquilo no país, o que possibilitou seu retorno.

O trabalho que projetou Louison mundialmente fez uma análise de dados de casos de malária coletados em unidades de saúde do Congo, especialmente em crianças e mulheres grávidas, que são as mais vulneráveis.

“A malária é uma doença que atinge 25 milhões de pessoas no Congo. A malária não deixa a pessoa ir para a escola. Para o trabalho. Atrapalha o desenvolvimento econômico do país, porque sem educação, sem trabalho, não se consegue fazer nada”, afirmou.

Com apoio do Google e Microsoft, que forneceram ferramentas de tecnologia da informação, Louison desenvolveu uma plataforma inteligente, que faz apresentação destes dados coletados, analisa e apresenta informações para controle e prevenção de surtos da doença. “Por exemplo, é possível saber daqui seis meses, se não for feita a intervenção, haverá um surto de malária em determinada região do Congo”, explica

Embora o foco tenha sido o país de origem, ele garante que a intenção é que o projeto seja implantado em outras regiões de surto da doença.

“A minha visão, quando eu formar é poder não só trabalhar no Congo. Quero trabalhar no mundo inteiro. Quero abrir meu escritório nos países endêmicos da malária para fazer análises e com meu projeto saber o que é preciso fazer naquela região para acabar com a doença”, contou.

Agora, o estudante de medicina está desenvolvendo aplicativo para alertar a população sobre locais de surto de malária e cuidados para prevenção da doença. “Objetivo é informar a população como, onde e quando lutar contra a malária,” garante.

Louison está no quarto ano da faculdade de medicina. A previsão de formatura é em 2021. O projeto que ele trabalha é um sonho desde o início do curso. “Não consigo trabalhar em um hospital chique, atendendo em ambiente com ar condicionado. Estou fazendo medicina para desenvolver pesquisas humanitárias”, disse

Reconhecimentos

Louison recebeu o título de um dos 15 jovens líderes mais influentes do mundo durante encontro da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, no mês passado.

No dia 1º de novembro, foi um dos três escolhidos para o Prêmio de Melhor Inovação Humanitária 2019, do The Dutch Coalition for Humanitarian Innovation (DCHI), na Holanda. Em português, o prêmio se chama “Coalizão Holandesa de Inovação Humanitária”.

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/11/10/projeto-de-combate-a-malaria-de-estudante-de-medicina-da-ufmg-ganha-destaque-mundial.ghtml

Desenvolvimento de software sob medida

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