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Projeto em BH reúne vozes que contam histórias de mulheres comuns e ao mesmo tempo extraordinárias

“Ela era uma analfabeta, faxineira, sem nenhuma instrução, mas ela me tornou a mulher que sou hoje”. Esta frase está entre os áudios enviados para o projeto “Vozes Reunidas” que tem a proposta de dar espaço a histórias de mulheres comuns e ao mesmo tempo extraordinárias.

Cartazes com os dizeres “conte-me uma história de uma grande mulher (pode ser você)” e um número de telefone foram espalhados em postes e muros de Belo Horizonte no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A partir daí, áudios da capital mineira, do interior e até de outros estados foram surgindo.

“A ideia partiu do desejo de dar voz às mulheres. De ouvir mais. De ter essa escuta. Nós somos um grupo de escritoras e queríamos fazer alguma coisa para o 8 de março. Daí veio essa proposta. De que as pessoas mandassem áudios sobre grandes mulheres reais”, disse Lívia Aguiar, uma das 17 idealizadoras do projeto.

São histórias de superação, garra e coragem. Mulheres que superaram a pobreza, o machismo e agressões.

“A coisa que mais chama a atenção nos áudios é a violência pela qual muitas mulheres passaram. Também são histórias de mulheres que foram abandonadas, de mães solteiras que foram abandonadas por seus companheiros. Mas todas elas mostram como elas conseguiram se reerguer. São histórias de resistência”, disse Lívia.

Luta

Em um dos áudios, uma mulher conta como a mãe que estudou até a quarta série conseguiu gerir a vida financeira da família através de muita luta e da aptidão para a matemática. E ela ainda teve que enfrentar os vícios do marido, que perdia dinheiro com bebida e jogo.

“Ela é linda, forte e esperta. É uma pessoa que estudou até o quarto ano e faz contas de cabeça que ninguém consegue entender”, disse a filha.

Esta grande mulher é a segunda de 11 irmãos. Começou a trabalhar cedo, lavando roupa. Ela também convivia com a violência dentro de casa já que era testemunha das agressões do pai contra a mãe.

“Uma das coisas que essa mulher carrega na vida, que ela traz com ela, é a violência. Ela não aceita de maneira nenhuma é nenhum tipo de agressão física ou outros tipos de agressões contra a mulher”, disse a filha no áudio.

Projeto foi espalhado por postes e muros de Belo Horizonte — Foto: Vozes Reunidas/Divulgação

Projeto foi espalhado por postes e muros de Belo Horizonte — Foto: Vozes Reunidas/Divulgação

Outra “voz” que chegou até o projeto é de uma mulher que mora no interior do Espírito Santo. “Eu tive a sorte de poder estudar. Fazer um curso superior, mas, devido às barreiras, eu não consegui exercer todas as minha habilidades”, contou. Um dos obstáculos a que ela se refere é o machismo.

Por causa do ambiente inóspito que vivia no trabalho, ela carrega cicatrizes. “Reagi com as ferramentas que eu tinha na época e foi uma luta muito forte, que eu transpus. Mas foi muito traumático”, disse. Ela ainda alerta para a autossabotagem, quando mulheres passam a acreditar que são menores que os homens.

“Eu não tenho nada de diferente na minha história. É uma história comum”, contou ela.

‘Ela saiu da casa desse agressor’

A frase que abre esta reportagem foi dita por uma mulher que homenageia a avó. Vítima de violência, ela conseguiu tomar as rédeas da própria vida.

No relato, a neta conta que um dia a avó saiu escondida para ver a festa de São João. Furioso, o marido a alcançou, quebrou um cabo de vassoura em suas costas, raspou seus cabelos e ainda lhe deu vários socos. Tempos depois, ela teve coragem para sair de casa.

“O que me dá forças olhando para ela é que depois disso eu não sei de onde ela tirou forças e venceu. Ela saiu da casa desse agressor”, contou.

A avó lhe dizia, “existem três coisas que nenhum outro tira de nós, a educação, os princípios e dignidade”.

Ainda no áudio, a neta diz, “todos os dias, nas minhas orações, rezo para que eu vire metade da mulher que ela é hoje. Sem dúvida alguma ela é a minha inspiração”.

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/04/01/projeto-em-bh-reune-vozes-que-contam-historias-de-mulheres-comuns-e-ao-mesmo-tempo-extraordinarias.ghtml

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