Vereador de BH teria usado dinheiro público para pagar empregado pessoal

Um vereador de BH, que está no primeiro mandato, teria usado dinheiro público, da Câmara, para pagar um empregado pessoal. O sargento reformado, Flávio dos Santos, do PODEMOS, terá que responder por fraude trabalhista e por acusar um ex-assessor parlamentar de roubo injustamente. Renato Deodato Lopes de Camargos, de 26 anos, diz que já fez todo tipo de serviço para o vereador: de pedreiro, limpeza e até garçom na festa de 13 anos da filha do parlamentar. Ele já fazia esses trabalhos para o vereador, antes de ser contratado como assessor de Flávio em setembro de 2018. O jovem foi exonerado, em março de 2019. Ele recebia por mês um salário MIL 210 reais e mais 800 reais em auxílio alimentação da Câmara. Renato contou à CBN que nunca trabalhou como assessor parlamentar de fato.

“O serviço que eu fazia com ele era só na casa dele, como serviços gerais. Lavava banheiro, mexia com obra, servente de pedreiro, e fazia altos tipos de serviço também. Porque eu nunca fui na Câmara para trabalhar com ele. O único dia que eu usei terno foi na festa da filha dele, como garçom. De vez em quando me liberava tarde”. Questionado se também trabalhava finais de semana e feriados, ele afirmou que sim, “de segunda a segunda”. 

Na ação judicial, foram anexadas fotos de Renato trabalhando em duas obras em imóveis do vereador. Um deles no bairro São Paulo, região nordeste de BH, e outro imóvel é uma fraternidade espírita fundada por Flávio dos Santos, em frente à casa do parlamentar, no bairro Saudade, zona leste de BH.

Renato conheceu o vereador ainda criança, quando tinha 5 anos de idade. Os dois são praticamente vizinhos. O jovem afirma que, desde então, faz diversos tipos de serviços para Flávio e a família dele. No final de fevereiro, 7 mil reais em dinheiro sumiram da residência do parlamentar e ele suspeitou que Renato tivesse pegado as notas. Diante das acusações, o rapaz decidiu processar o empregador por danos morais. 

le não me dispensou de serviço. Mas ele me acusou de ladrão. Aí eu não fui trabalhar. Acusou minha família. Falou que eu deixei a chave dele aqui em casa e minha família pegou o dinheiro dele. Isso me afligiu e afligiu minha família também.

Em sua casa, Flávio dos Santos recebeu a CBN para falar sobre o assunto. O ex-policial negou todas as acusações e garantiu que Renato tinha, sim, atribuições de assessor parlamentar.

“A função de todo assessor parlamentar é sair nas vias procurando tipos de obras que existem. Tem um buraco ali, tem uma contramão ali tem um pedido de quebra mola ali. A função do assessor externo não é no gabinete, é na rua. 

– E ele é qualificado para isso?

Para isso sim. Qualquer ser humano pode ser. Não precisa ter estudo, não precisa ter nada. 

– E por que escolheu ele para ser seu assessor parlamentar?

É porque foi criado junto com a gente aqui, e eu quis dar uma oportunidade para ele. Ele fazia como todos os meus amigos fazem. Eu convidava ele para a festa. “Renato, hoje tem festa. Vamos lá, você me dá uma mãozinha. Serviço de que? Duas, três horas. Eu pagava.”

– Ele não trabalhou como pedreiro?

Ele não é pedreiro. Ele aproveitou o espaço da minha ausência para pegar essa ferramenta e mostrar que estava trabalhando. E a outra foto na casa que eu tenho lá no bairro São Paulo foi antes dele trabalhar na Câmara”.

Renato tem ensino fundamental incompleto. Ele parou de estudar, para ajudar a família trabalhando. O advogado do funcionário, Marcos Dornelas, diz que seu cliente não tinha noção da gravidade da situação.

Para o vereador do PODEMOS, o ex-assessor parlamentar quer se vingar dele. “Por causa da acusação injusta de furto. Lamentavelmente, sumiu dentro da minha residência 7 mil reais. Como ele toda vida foi criado dentro da minha casa e tinha a chave da minha casa, ele foi o primeiro suspeito. Então, no dia 2 [de março], no sábado, ele e a irmã dele acionaram a viatura contra mim. Porque eu tinha suspeitado dele. Razão pela qual eles estão falando isso”.

Na tarde desta quarta-feira, o vereador e o empregado terão a primeira audiência na Justiça do Trabalho. Flávio dos Santos já adiantou que não vai fazer acordo e garantiu que não cometeu nenhum desvio.

No processo, o advogado de Renato pede quase 50 mil reais em indenizações. A ação solicita, ainda, que a Câmara de BH seja notificada sobre o caso, já que as irregularidades podem configurar quebra de decoro parlamentar e levar à perda do cargo do vereador. No processo o ex-assessor pede ainda que o Ministério Público seja informado sobre o processo.

A Câmara Municipal de BH afirmou que não vai se posicionar sobre o caso porque não recebeu o aviso da Justiça. A CBN fez contato com o PODEMOS e aguarda a manifestação do partido.

Fonte:http://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/254680/vereador-de-bh-teria-usado-dinheiro-publico-para-p.htm

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