‘Vidas são perdidas e ninguém faz nada’, diz empresária da Vilarinho sobre período chuvoso em BH

Desde criança, a empresária Amanda Chaves, de 41 anos, vê a mesma cena se repetir durante o período chuvoso: a fúria das águas do córrego Vilarinho , na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte, avança sobre o asfalto, destruindo tudo o que tem pela frente. “Venda Nova é esquecida. Vidas são perdidas e ninguém faz nada”, lamentou.

Amanda divide com os irmãos a responsabilidade de administrar a loja de ferragens da família, uma das mais tradicionais da avenida Vilarinho, há 30 anos no mesmo ponto.

“As enchentes começaram a ficar mais intensas há uns 15 anos. É muito lixo espalhado. A região cresceu muito, sem estrutura. Cimentaram tudo e a água não teve mais vazão. Aí, todo ano, é isso que a gente vê”, disse.

Por já ter clientela formada – que a conhece pelo nome-, Amanda nem pensa em sair da região. Mas precisou se adaptar para enfrentar os períodos chuvosos. No banheiro, o vaso sanitário ganhou válvulas para conter o transbordamento. Na porta externa, uma proteção de metal de mais de 2 metros de altura com borrachas de 5 cm de espessura é cuidadosamente fechada, todos os dias, para evitar entrada de água.

Todos os funcionários da loja são orientados a adotar o mesmo protocolo: “Quando o bueiro da frente começa a cuspir água, é pra fechar a loja e sair, porque em cinco minutos, já estará tudo tomado”, afirmou.

Mesmo com o esquema de prevenção, Amanda estima prejuízo de R$ 5 a 10 mil todos os anos. Ela já não tem mais esperança de que as obras para evitar o problema sairão do papel. “Perco o faturamento do dia, porque ninguém vem com medo, e o prejuízo da enchente”, lamentou.

Avenida Vilarinho tomada pela água: não dá nem pra ver o asfalto — Foto: Lucas Franco/Globo

Avenida Vilarinho tomada pela água: não dá nem pra ver o asfalto — Foto: Lucas Franco/Globo

Do outro lado da mesma avenida, o proprietário de uma loja de motos, Lucas Carvalho, teme é que as obras de contenção prometidas pela prefeitura se arrastem por muito tempo e possam trazer ainda mais transtornos. “Arrumar isso aqui vai ser bom, mas sem atrapalhar os comerciantes”, disse.

A gerente Lorraine Pamela Rezende contou que a recorrência dos alagamentos têm se intensificado nos últimos anos. “Antes era uma vez ao ano, agora são duas ou três”. Como o comércio não tem portas de contenção para as enchentes, o jeito foi colocar o estoque no segundo nível, onde a água não chega.

Mortes e promessas de obras

Durante as fortes chuvas que caíram na capital mineira no final de 2018, quatro pessoas morreram na região. No dia 15 de novembro, Cristina Pereira Matos, de 40 anos, e Sofia, de 6, foram encontradas mortas em um carro após inundação na Avenida Vilarinho. No mesmo dia, Anna Luísa Fernandes de Paiva Maria, de 16, morreu após ser arrastada pela correnteza ao sair do carro em que estava com o namorado.

A terceira vítima, Jonnattan Reis Miranda, de 28 anos, foi localizada pelo Corpo de Bombeiros após cinco dias de buscas. Segundo os militares, o homem tinha problemas mentais e teria pulado dentro de uma galeria durante o temporal.

No dia seguinte das mortes, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) esteve no local e assumiu responsabilidade pelo ocorrido. Na época, ele prometeu que as obras necessárias para evitar alagamento e inundações na Avenida Vilarinho, na Região de Venda Nova, seriam feitas. “Nós vamos fazer. Nós não somos como os outros. Nós não corremos da nossa responsabilidade e nós fomos eleitos para cuidar dessa população”, disse na ocasião.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que enviou aos presidentes e representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas, a solução definitiva para as enchentes da Vilarinho. A solução proposta prevê a ampliação da capacidade de armazenamento de água excedente em pontos estratégicos dos córregos Nado e Vilarinho. Serão implantados novos reservatórios e ampliadas as capacidades dos outros quatro que já existem na região.

Enquanto obras não saem do papel, quem passa pela Vilarinho deve ficar atento às placas da Defesa Civil — Foto: Patrícia Fiúza / G1

Enquanto obras não saem do papel, quem passa pela Vilarinho deve ficar atento às placas da Defesa Civil — Foto: Patrícia Fiúza / G1

Fonte:https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/10/14/vidas-sao-perdidas-e-ninguem-faz-nada-diz-empresaria-da-vilarinho-sobre-periodo-chuvoso-em-bh.ghtml

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